Dngrh Reúne Sectores-chave para fazer Balanço da época Chuvosa 2025/2026

Decorreu entre os dias 14 e 15 de Maio de 2026, na província de Maputo, a Reunião Nacional de Avaliação da Época Chuvosa e Ciclónica 2025/2026, organizada pela Direcção Nacional de Gestão de Recursos Hídricos (DNGRH). O encontro reuniu instituições ligadas à gestão de recursos hídricos, meteorologia, gestão de risco de desastres e resposta a emergências, com o objectivo de fazer o balanço da época, avaliar a resposta institucional e retirar lições para futuras ocorrências.

A época chuvosa e ciclónica 2025/2026 ficou marcada por fenómenos extremos de grande magnitude em Moçambique, durante a qual foram registadas cheias simultaneamente em quase todo o território nacional, afectando mais de 700 mil pessoas e provocando mais de 300 mortes.

De acordo com o Director Nacional de Gestão de Recursos Hídricos, Agostinho Vilanculos, as regiões Norte, Centro e Sul do país registaram comportamentos distintos das chuvas, mas com impactos severos em várias bacias hidrográficas. No Norte, verificaram-se precipitações normais a acima do normal nas bacias do Rovuma, Messalo, Montepuez e Megaruma, situação que originou cheias moderadas, afectando a circulação rodoviária, a actividade agrícola e diversas comunidades locais.

Nas regiões Centro e Sul, as chuvas acima do normal provocaram cheias de grande dimensão nas bacias do Zambeze, Búzi, Save, Limpopo, Incomáti e Umbelúzi. As inundações comprometeram a transitabilidade em várias estradas das províncias de Maputo, Gaza, Inhambane, Sofala e Manica, além de terem inundado mais de 100 mil hectares de culturas agrícolas.

Segundo Lionel Bila, representante da ARA-Sul, esta foi uma das épocas mais severas da história recente do país em termos de abrangência territorial das cheias. Entre os casos mais marcantes destacou-se a cheia do rio Limpopo, não apenas pela sua magnitude, mas também pela forma como foi gerida, assim como a operação da Barragem de Massingir, que igualmente foi decisiva para minimizar o impacto das inundações nos distritos de Chókwè, Guijá, Chibuto e Xai-Xai.

Por seu turno, Geneth Roque, do Instituto Nacional de Meteorologia (INAM), considerou que as previsões hidro-meteorológicas emitidas antes do início da época apresentaram um grau de fiabilidade superior a 80 por cento, sendo que as cheias do Limpopo foram previstas com cerca de sete dias de antecedência, permitindo a emissão atempada de comunicados e a retirada preventiva das populações em zonas de risco.

Face ao impacto deste período e no âmbito do reforço da resiliência comunitária, o governo anunciou investimentos em sistemas modernos de gestão de cheias, incluindo a inauguração do Centro de Comando de Cheias pelo Ministro das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos, Fernando Rafael.Estão igualmente em curso obras de alteamento e construção de diques resilientes nas bacias do Limpopo, Búzi e Licungo, bem como intervenções de emergência nos diques do Incomáti, em Marracuene e na Ilha Josina Machel, além de Xai-Xai e da vila do Búzi.

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